Pesquisa desenvolve processo para degradação de sacolas plásticas

De tempos em tempos, alguma cidade brasileira convive com a polêmica proibição do uso de sacolas plásticas em supermercados. Quem elabora as leis proibitivas usa como principal argumento o longo período que uma sacola plástica leva para ser degradada no ambiente e a quantidade de lixo que está sendo deixada para as gerações futuras. Mas uma pesquisa realizada no Departamento de Microbiologia da UFV desenvolveu um processo para acelerar a degradação de plásticos biodegradáveis.

O processo, que está sendo patenteado pela Universidade, foi desenvolvido pelo pesquisador José Maria Rodrigues da Luz, durante seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Microbiologia Agrícola. Ele conta que, para tornar mais leve a consciência de quem se preocupa com o meio ambiente, muitos supermercados adotaram as sacolas chamadas de D2W ou oxi-biodegradáveis ou, ainda, os plásticos verdes, usados normalmente para embalar frutas e verduras. As embalagens D2W são feitas com plástico originário de petróleo aditivado com íons metálicos de titânio. Já os plásticos verdes possuem em sua composição polímeros oriundos do bagaço de cana-de-açúcar. O problema é que nem mesmo as empresas produtoras conhecem bem a eficiência da degradação desses produtos.

Pesquisa
Nas embalagens, costuma estar escrito que as sacolas se decompõem em um período máximo de 18 meses, dependendo da exposição à luz solar. Mas a informação é vaga e, até agora, não havia nenhuma prova concreta. Por isso, o pesquisador começou o trabalho avaliando se as sacolas eram realmente biodegradáveis. ”O que sabemos é que este tipo de embalagem, quando exposta ao sol, nos lixões ou aterros, pode sofrer um processo de decomposição, mas nem sempre ele é completo”, explica José Maria. A pesquisa utilizou avaliações químicas, físicas e biológicas em equipamentos de microscopia e espectrofotometria e concluiu que a simples exposição ao sol não é suficiente para a degradação das sacolas ditas ecológicas.

Na segunda fase, os pesquisadores procuraram uma forma de acelerar o processo de degradação ou de torná-lo mais eficiente. Para isso, foi avaliado o potencial dos fungos da podridão branca, já conhecidos como bons degradadores de polímeros complexos. Deu certo, mas o processo ainda era muito lento. Faltava a umidade para propiciar o crescimento inicial do fungo. “Nós colocamos toalhas de papel em cima das sacolas porque o fungo, inicialmente, não ataca o plástico e sim o papel para produzir enzimas que degradam o plástico”, conta José Maria.

Segundo a orientadora da pesquisa, a professora Maria Catarina Megumi Kasuya, o resultado foi surpreendente. Sem a presença de luz solar, o plástico começou a ser degradado em apenas 45 dias. Na presença do sol, o processo é ainda mais rápido porque o calor causa alterações físico-químicas que flexibilizam o plástico e facilitam a proliferação do fungo. As sacolas que são tingidas com corantes também não ofereceram resistência ao processo de degradação. A boa notícia é que o plástico verde, feito com polímeros da cana-de-açúcar, desaparece ainda mais rapidamente do ambiente, após o tratamento com o fungo.

O que os pesquisadores não esperavam é que processo de degradação ainda formasse cogumelos comestíveis, ou seja, alimentos a partir dos plásticos degradados. “Nós sabemos que o cogumelo produzido é comestível, mas ainda precisamos analisar se alguns componentes tóxicos, oriundos da degradação do plástico ou das tintas, podem se acumular nos cogumelos”, alerta Catarina Kasuya. Esta é a próxima etapa da pesquisa na linha de processos e produtos microbiológicos, do Departamento de Microbiologia.

A UFV já fez o pedido de patente do processo de degradação das sacolas e da produção de cogumelos. “Queremos muito ver este processo sendo usado para dar um destino adequado a esses plásticos que hoje são um problema ambiental”, diz José Maria.

Os resultados da pesquisa já foram publicados na revista PlosOne em dois artigos que podem ser conferidos nos linkshttp://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0069386;http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0107438 .

(Léa Medeiros)

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